As cores estavam um pouco apagadas e não tão firmes como costumavam ser, mas ainda era possível entender o desenho da única tatuagem de Lawrence Ori. Ele não podia mais erguer seu braço orgulhosamente para mostrar, mas ainda dava pra ver o logo do Aerosmith no seu bíceps.Não é a apenas a tatuagem. O Aerosmith passou pela vida de Ori tanto de formas óbvias quanto sutis. A placa do seu carro diz “ROCKN” e o seu celular tocava a clássica música “Dream On”.
“Ele me transformou em uma garota rockeira”, disse a namorada de Ori, Joanie Dziak. “Ele me apresentou o rock quando eu tinha 50 anos”.
Ori, então com 62 anos, tinha paralisia supernuclear, uma condição degenerativa que dificultava sua fala e seus movimentos. Mas mesmo internado como paciente terminal, quando “Sweet Emotion” ou “Rag Doll” tocava, ele balançava os pés e a cabeça no ritmo da música.
Ori sabia que seus dias de “viver no limite” haviam passado, mas alguns sonhos são grandes demais para abandonar – como o sonho de conhecer seu herói do rock, Steven Tyler.
Enquanto sua condição piorava, Ori sabia que as suas chances de conhecer Tyler iam diminuindo. Mesmo quando aceitou a própria morte, ele continuou leal ao seu sonho.
A família se reuniu ao redor da sua cama vestindo camisetas pretas do Aerosmith, em solidariedade ao amigo. Uma coletânea de sucessos do Aerosmith começou a tocar e fotos de Ori em shows estavam na parede.
Então, o assunto veio à tona: Steven Tyler está ligando. Em meio a movimentos e falatórios agitados, um computador foi posicionado em frente a Ori e o rosto de Tyler apareceu através de uma videoconferência por Skype.
“Lawrence? Aqui é o Steven”, disse Tyler. “Estou falando de Los Angeles e estou muito feliz por conhecê-lo”.
Ori não podia responder, mas seus olhos se arregalaram.
Sua namorada, Joanie Dziak, segurou sua mão e falou por ele. Dziak contou a Tyler sobre a paixão de Ori por rock e Aerosmith. Ela não conseguia nem contar a quantos shows Ori havia ido.
A família de Ori acenou e agradeceu do local onde estavam situados pelo quarto.
“Isso que é maravilhoso na música”, Tyler disse. “Une as pessoas e atinge a alma”.
“É muito bonito ver tanto amor ao redor dele agora”.
A ligação não durou muito tempo, já que as forças de Ori estavam diminuindo e suas emoções estavam mais fortes do que nunca.
“Aguente firme, Lawrence. Amo você, cara”, disse Tyler. “Foi ótimo te conhecer”.
Os olhos de Ori se encheram de lágrimas. Dziak se inclinou para abraçá-lo, sussurrando no seu ouvido. O restante da família se aproximou quietamente da cama, celebrando o momento esperado por uma vida inteira.
Ori Faleceu naquela tarde, com “Dream On” tocando ao fundo e um sorriso no rosto.






